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A crise financeira recente: fim de um padrão de funcionamento da economia mundial?

por admin última modificação 04/08/2009 18:12

A atual turbulência econômica, cuja origem situa-se na eclosão da crise das hipotecas dos EUA, em agosto de 2007, tem se alastrado rapidamente por todo o setor financeiro da economia norte-americana e do mundo. De janeiro a setembro de 2008, estima-se uma desvalorização de ativos da ordem de mais de US$ 14 trilhões. A estimativa de perdas em 12 meses é de cerca de US$ 27 trilhões, ao mesmo tempo em que os bancos internacionais registram perdas contábeis de mais de US$ 500 bilhões.

A especulação no mercado imobiliário norte-americano já era apontada como estopim para uma crise há muito tempo. Atualmente, os problemas são atribuídos à “crise dos subprime”, isto é, aos empréstimos feitos no mercado de imóveis aos tomadores de mais alto risco (trabalhadores sem contrato efetivo de trabalho ou que não possuem valores para servir como garantia).

Ao adquirir um imóvel, ainda que com longo prazo para pagar, uma pessoa torna-se apta a contrair crédito no mercado financeiro usando a hipoteca da propriedade como garantia. Com a generalização e expansão do crédito imobiliário, o preço dos imóveis teve forte alta, gerando uma espiral de elevação do crédito: quanto maior o valor do imóvel, maior o volume de recursos que pode ser obtido junto ao sistema financeiro. E com o valor dos imóveis subindo, as hipotecas eram renovadas, garantindo aos tomadores, novos créditos.

Esse mecanismo permitiu a expansão do consumo nos EUA, mercado para o qual eram destinados produtos de muitos outros países, resultando, por exemplo, no dinamismo acentuado da economia chinesa, e explicando parte da alta do preço das principais commodities agrícolas e minerais exportadas pelo Brasil.

Os lucros para as instituições que concediam estes créditos mais arriscados eram extraordinários e despertaram interesse de outros agentes financeiros – não apenas dos EUA, mas no mercado internacional – que adquiriram títulos que reuniam papéis deste lucrativo (e arriscado) mercado com outros, com menos riscos. Desde julho do ano passado o cenário mudou. Os papéis ancorados nestas operações e difundidos pelo mundo financeiro global começaram a perder seus valores - entre outros motivos pelo crescimento dos juros e da inadimplência no mercado de imóveis - e encontraram dificuldades para serem negociados. Os antigos lucros transformaram-se em perdas que estão afetando instituições financeiras em todo o mundo.

Com o fim da prosperidade deste mercado, o mundo financeiro entrou em pânico, principalmente diante do potencial de perdas que ainda pode ocorrer. Essa percepção vem derrubando os pilares de um sistema que vigorou por 20 anos – a crença na auto-regulação, na liberalização permanente e progressiva, na capacidade de multiplicação constante da riqueza financeira.

Como a crise ainda está em curso, as projeções de seus impactos sobre as economias são tão especulativas quanto os movimentos financeiros que estão ocorrendo. As expectativas são de redução nas taxas de crescimento de vários países, inclusive com recessão, que já se evidencia nos EUA, Japão e na área do euro.

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